João • Kelly,
Costumo chamar o processo de avaliação de desempenho como
ADMINISTRAÇÃO DE DESEMPENHO, isso porque na cabeça de muitos gestores,
avaliação de desempenho é um documento a ser entregue para Recursos Humanos.
Venho trabalhando com Administração de Desempenho com base
em Competências nas últimas 3 empresas por que passei e posso lhe assegurar que
inicialmente é bastante trabalhoso e gera muitas controvérsias até que todos os
envolvidos entendam que o processo deve estar alinhado a Missão, Visão, Valores
e
Estratégia da Empresa
e não meramente de Recursos Humanos. Entender como desenvolver: Conhecimento,
Habilidade e Atitudes podem contribuir com o resultado da Empresa e com o
desenvolvimento dos colaboradores e fator fundamental para que programas
baseados em competências tenha sucesso. Uma vez internalizado isso, avaliar,
recrutar e desenvolver por competências fica muito mais fácil.
Kelly Palaro • João, obrigada!
São estas informações que busco com este tema, isto é, como
funciona na prática, como é implementado este modelo? Gosto muito do tema e receio
que muitos profissionais e empresas dizem praticar o modelo; mas desconhecem
suas ferramentas e métricas. Aprecio muito o livro: Modelo de competências e
Gestão dos Talentos de Maria Rita Gramigna.
Sérgio • Oi Kelly,
Esta é uma realidade que veio para ficar.
Falamos em "complice", "guideline" e
mais normas e mais procedimentos a serem cumpridos pelos funcionários.
As empresas buscam nas auditorias e consultorias externas,
ferramentas para a avaliação e o controle de seus gestores.
Temos o MBO - Management by objectives como um bom exemplo,
que fazemos para nossos funcionários, mas também é aplicado a nós mesmos.
Quem ainda não fez com certeza fará em breve com o seu
chefe.
A grande realidade que fica, todos somos um número a ser avaliado,
se positivo continuamos dentro e se for negativo, nem sempre um por argumento
nos mantém sentados em nossos postos de trabalho.
Somente um bom talento não é o suficiente e garantia de
emprego.
Vemos e temos bons exemplos onde foram mal entrepretados e
mal aproveitados e consequentemente dispensados por não atingirem metas.
Assunto apaixonante e que merece longas discussões
acaloradas.
Abraços,
Kelly Palaro • Pois é Sérgio, você tocou no "calcanhar
de Aquiles" deste modelo.
Por ter paixão pelo tema, busco informações através de
livros, entrevistas, web, etc; e o Modelo de Competências e Gestão de Talentos
tem com objetivo principal mapear de forma ética as competências, potenciais e
gaps de um colaborador. Muitas vezes com a leitura deste mapa é diagnosticado a
possibilidade deste colaborador atuar em outra área da empresa, aonde entregará
melhores resultados; ou ainda um promoção, já que seu potencial para lidar com
determinadas questões supera as expectativas, antes não observadas ou bem
interpretadas. No caso de gaps, seu superior imediato, deverá informar e
orientar ao colaborador como agir para desenvolver determinada competência para
atender as expectativas da cia. E este processo é de total responsabilidade do
superior imediato. Porém o que vemos é exatamente a questão que colocou, a
utilização deste modelo para justificar desligamentos, baixa performance de
colaboradores, etc... quando sabemos que a gestão destes talentos é ponto
"chave" da questão.
Wagner Winter • Kelly, boa tarde.
Sou um grande incentivador na formação de times, tanto para
trabalhos, quanto para lazer. A questão é que quando formamos um time para
lazer, buscamos pessoas comprometidas com a coletividade, que se divertem com
coisas em comum, mas, de modo geral, sempre somos obrigados a respeitar as
individualidades para não corremos o risco de não termos ninguém para formar o
time. Usando o seu próprio texto: "o Modelo de Competências e Gestão de
Talentos tem com objetivo principal mapear de forma ética as competências,
potenciais e gaps de um colaborador. Muitas vezes com a leitura deste mapa é
diagnosticado a possibilidade deste colaborador atuar em outra área da empresa,
aonde entregará melhores resultados [...]". Essa é a razão pela qual, um
time de lazer, pode juntar pessoas tão diferentes: contadores de anedotas,
eruditos, níveis socioeconômicos diferentes e por aí vai, cada qual
participando com as suas melhores competências sem a necessidade de um gestor.
Me parece que as empresas, que nem existem no mundo real,
são ficções jurídicas e, desta forma, podemos falar, as pessoas reunidas sob
uma ficção jurídica, à qual, atribuem um imenso valor, acabam dogmatizando
coisas boas e as mais imbecis possíveis. Por exemplo: chefe, gerente e
presidente não são competências. São cargos transitórios de confiança de
alguém, ou uma imposição representativa do capital societário. Contudo, exercem
autoridade de mando e autoridade, muitas vezes autoritarismo.
Veja que interessante, só por pensar assim, se estivesse
procurando um emprego, já estaria fora do mercado, pois, em outras palavras,
arrumei um grande problema para o RH de qualquer empresa.
Uma única vez testemunhei um médio empresário sair de cena e
entregar a totalidade da gestão de pessoas para um médico psiquiatra. Após um
profundo estudo sobre cada pessoa que ocupava função de liderança, mesmo sem
cargo, o médico fez a mais radical mudança que já presenciei, salvo melhor
juízo, o diretor geral foi parar como chefe de almoxarifado e responsável pelo
atendimento aos fornecedores. Não sei se todos viveram felizes para sempre,
mas, resolvido as questões salariais, ninguém perdeu nada, a indústria ganhou
tal sinergia que, sem outro investimento, subiu em 40% o seu faturamento bruto.
A gestão de pessoas é uma realidade universal. Talvez fosse
necessário que as pessoas se tornassem descrentes das instituições jurídicas,
dessas ficções que os juristas tanto se orgulham, mas que nada representam no
mundo real, palpável, racional. Quando deixarmos de olhar as logomarcas e as
titulações escritas em documentos "legais" e passarmos a enxergar que
só existem pessoas no mercado de trabalho, sem dúvida, o mundo vais melhorar
muito, o trabalho poderá ser visto como um prazer, uma complementação
necessária a nossa integralidade como seres humanos.
Abraços,
Wagner Winter