As pessoas ainda não acordaram para a realidade da multidisciplinaridade nas atividades profissionais, bem como a academia, que mantém cursos cada vez mais focados em formar profissionais para os respectivos mercados de trabalho. Vivemos uma transição entre o modelo neoliberal e uma nova onda econômica que vai se definir naturalmente, muito embora alguns já pensem nome e sobrenome para a noviça economia global.
Os pesquisadores acadêmicos discursam sem platéia, já superaram a multidisciplinaridade e a semiótica é a grande mediadora do conhecimento humano. É a ciência da linguagem valendo-se do exercício da observação e da especulação. Já se discute a Interdisciplinaridade: “cada ciência, mantendo-se em sua área de conhecimento, comunicam-se com outras ciências intercambiando novos conhecimentos a cada ciência”; e a Transdisciplinaridade: “é um ato mais de aventura da pessoa quando estimulada. Não conhece barreiras, busca conhecimento em todas as ciências sem limites, métodos, campos e objetivos”. A transdisciplinaridade “tem haver com filósofos sem fronteiras”. (Regina Toledo Damião - Professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie).
Os mercados temem pelo conhecimento humano dos chamados funcionários, herança do Fordismo? Pode ser, mas as corporações não passam de uma figura jurídica de direito; no mundo real, toda economia orbita em torno das relações humanas e do poder concentrado dos dirigentes. Com certeza, nenhum executivo quer ser vítima de alpinistas funcionais, por isso, ter um empregado com conhecimento interdisciplinar é perigoso, preferível contratar um consultor externo.
Abaixo, reproduzo três máximas do Antonio Carlos Magalhães (ACM), apenas para reavivar na mente alguns compromissos do poder.
“A arte da política consiste em saber
dar a cada um o que ele espera de você. Alguns querem proteção, um emprego, por
exemplo. Outros querem dinheiro. Há um terceiro tipo, que busca poder, o
prestígio, até mesmo um carinho. Se você confundir as demandas, oferecer
dinheiro a quem quer carinho ou poder a quem quer um emprego, arrumará um
inimigo”.
“Fale bem dos amigos todos os dias;
fale mal dos inimigos pelo menos duas vezes por dia”.
“É legítimo bater sempre nos
adversários, para que não venham a crescer e maltratar seus aliados. Nunca
reclame dos golpes recebidos; prepare o troco. Vale a máxima: a vingança é um
prato que se come frio”.
Enquanto os mercados alinharem hierarquicamente os seus recursos humanos, como no modelo atual, os escravos, prisioneiros do pouco saber, especialistas em alguma tarefa, sempre terão espaço em tribuna de honra.
Abraços,
Wagner Winter