sábado, 2 de julho de 2011

SOB A PROTEÇÃO DA ÉTICA DO ESTADO


Aprendi, refletindo sobre as questões da Filosofia e do Direito, que o Estado é o principal usurpador dos direitos dos cidadãos, por isso, nossa Constituição possui farta quantidade de normas que visam proteger o cidadão do Estado. Pena que o Poder Judiciário seja apartado dos cidadãos – do povo.

Para mudar o Brasil é preciso mudar o brasileiro e isso, começa com cada um de nós – ética é um processo crítico da razão, só se confunde com a moral no momento da execução dos atos. É a diferença entre o bom e o bem.

AFINAL, O QUE É ÉTICA?


Afinal, o que é ética? É um conjunto de valores morais? É um fenômeno cognitivo ligado aos processos educacionais? É um fenômeno religioso? A ética é um instrumento de repressão ou de libertação do ser?

Vejo boas pessoas em grande quantidade e bons profissionais, mas não vejo muitos seres humanos, cuja principal característica é manter seu espírito livre. Não existe liberdade sem processo cognitivo e não existe adequado processo cognitivo sem informações, sem o saber.

A HUNANIMIDADE DO MODELO ÉTICO

Outro dia abri uma discussão sobre o que seria a ética, procurando aprofundar o assunto às bases da formação cognitiva do ser humano. Embora o grupo fosse rotulado de ética profissional, não houve participantes debatedores. Imagino que o assunto esteja esgotado para o grupo. Em um segundo grupo com o mesmo rótulo e objetivo um executivo postou: “A Ética não depende do conhecimento e muito menos do nível cultural das pessoas! Ela deve estar presente em todos(as) e em qualquer nível”. Li o texto de 5 pessoas postaram: “gostei” e 10 pessoas postaram comentários, inclusive eu, naturalmente assumindo uma postura contraditória. Entre os comentários postados, prevaleceu o seguinte: “Ética é simplesmente compaixão”.

A DESMISTIFICAÇÃO DOS MERCADOS


O capital e o trabalho são valores humanos para o bem comum da sociedade. Como um valor benéfico da coletividade, é natural que todos sejam beneficiados na proporção das competências e dos riscos assumidos. Contudo, não é humano venerar o trabalho ou gerar uma necessidade de possuir capital, a tal ponto, que a humanidade, ao invés de se servir dos valores, passe a servi-los como escravos devotos. Para acumular mais e mais capitais, alguns não hesitam em desmerecer o trabalho alheio, não pagando a justa remuneração; desempregam pessoas como quem descarta peças sucateadas; destroem o planeta com um fanatismo fundamentalista pelo progresso dos métodos de gerar mais riqueza. Cegos! Não percebem que o planeta é a maior riqueza que o ser humano desfruta.

Humanos doentes! Adoradores do que eles mesmos criaram; submissos a valores que eles mesmos atribuíram. Quando irão perceber que a vida não pode ser valorada por títulos de investimento. Não criamos deuses e muito menos demônios, criamos transações para garantir o atendimento de nossas necessidades normais e as chamamos de “trabalhos e remunerações”, “investimentos e rentabilidades”. O que disso passar é doença ou parvoíce.

OS DEUSES E OS DEMÔNIOS DOS MERCADOS

A história da humanidade registra uma permanente devoção a deuses e um pavor dos demônios, ambos criados por um exercício dialético ligados ao medo do ignorado, do desconhecido. Na medida em que a humanidade evolui, as religiões se estruturam e nasce um complexo sistema de raciocínio metafísico. Os deuses e demônios de outrora, parecem ter desaparecido da racionalidade humana. Parvoíce! Eles sempre existirão, fazem parte do inconsciente coletivo dos seres de espíritos aprisionados; ao longo dos séculos, foram chamados de muitos nomes e recentemente de capital. Marx pensou poder ter resolvido o problema com teorias de igualdade e partição igualitária do trabalho e do capital. Marx confiou demais nas possibilidades do Estado e dos seus agentes e antes mesmo do socialismo comunista acabar, já era enorme a quantidade de miseráveis e milionários na antiga potência mundial. O sonho capitalista evoluiu durante os últimos séculos. Novas roupagens, novos conceitos, democracia, igualdade de competição. Mas o deus pagão continua sendo cultuado e as “bênçãos” chegaram ao ponto da globalização dos mercados e dos capitais. Capital é o nome do deus e ausência de capital, o nome do demônio.